Cuidado com o meio marinho deve ser reforçado.

Escrito por a 18/11/2020

O lixo da pesca marítima produz efeitos severos nas aves marinhas. As medidas de prevenção e seguranças destes seres devem ser reforçadas para evitar os efeitos nefastos.

O lixo martinho, principalmente o material descartado ou perdido com origem nesta atividade, tem consequências severas para a conservação das aves marinhas.

Entre 2008 e 2018 foram analisadas as 2918 aves marinhas de 32 espécies, que deram entrada no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do ECOMARE, onde entre as causas de admissão das aves – captura acidental, trauma, emaciação, doença e intoxicação – quase 6,9 por cento (201 aves) traziam sinais de emaranhamento e, entre estas, 82 por cento dos casos referem-se a materiais relacionados com a pesca como anzóis, linhas e redes.

A Rute Costa é uma bióloga que faz parte da equipa da Universidade do Aveiro e que após vários anos de estudo, chegou à conclusão de que o material que prejudica as aves marinhas é sobretudo material relacionado com a pesca.

“Nós somos do fim da linha, digamos assim. E não é só o lixo e os plásticos. E também os metais pesados, muitos tipos de poluição e se calhar muitas das doenças que por vezes encontramos agora no mundo atual têm por base estes problemas. Mas é importante a gente ter consciência do que está a fazer e se calhar cada um nós em pequenas ações poderá fazer o mundo melhor”, refere a bióloga Rute Costa, da ECOMARE – UAveiro.

“É claro que isto é um pequeno ponto de todos os outros que podemos alertar. Um problema que com alguma fiscalização, ou muita consciencialização das pessoas que pescam, e não estou a falar só pesca profissional, falo também muito da pesca desportiva e lúdica, se houver uma grande consciencialização das pessoas que fazem pesca, de recolher todo o material que utilizam ao que estraga por alguma razão, se o recolherem e o forem colocar sítios devidos muito destas coisas se calhar podem não acontecer”, sublinha.

O relatório  alertava ainda que os detritos oceânicos representavam uma ameaça aos organismos marinhos por meio de emaranhamento, ingestão ou como vetor para espécies exóticas.

Este problema é global e o Instituo Polar Norueguês já tinha realizado estudos na escala da contaminação dos mares da Noruega e de Barents, no norte da Escandinávia, mostrando que nenhum canto da Terra está imune a este mal.

Havia sinais de que a quantidade de plástico estava a aumentar de forma preocupante com a produção global de plástico a chegar a 332 milhões de toneladas em 2015.

No dia-a-dia, olhamos um pouco para o lado no que diz respeito a pequenos gestos que podem fazer toda a diferença. Continuamos a consumir desmesuradamente e a pensar que, após lançar o lixo para os contentores, o problema deixa de ser nosso.

O problema não pára aí. Muito do lixo que é mal acondicionado, inadvertidamente ou por incúria, fica ao abandono. Com a chuva, pode mesmo acabar no mar.

Assim, é necessário tomar medidas urgentes para combater este mal que deve ser urgente neste momento.


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